quinta-feira, 18 de outubro de 2018

A missão do Tarô no século XXI, uma abordagem atual das misteriosas cartas centenárias.

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Cada vez mais muitas pessoas se mostram interessadas por Tarô. Alguns para saber o que é, vão procurar, dão um Google e…
Que loucura! Encontram serviços que mesclam Tarô, runas, búzios, simpatias e promessas de devolver o dinheiro em caso de erro (como assim erro? rsrs). Que tal entender melhor o tarô? Ta na hora de tirar aquela imagem da cigana com turbante que prevê o futuro da cabeça e perceber como o tarô é fascinante.

A idéia do Tarô como algo esotérico ainda é a mais comum, porém limitada.

Para entender o tarô você precisa conhecer um pouco a sua história, espero que esse texto possa mostrar a você o quanto essas cartas são fantásticas e também acabar com qualquer pré-conceito que você tenha formado (tem gente que só de saber que existe uma carta com o Diabo já pula fora). Comecei a me interessar pelo tarô quando percebi o quanto ele e seus símbolos tem significados profundos. E alguns em especial tem uma beleza artística arrebatadora.
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Justiça- Arcano XI no belíssimo tarô da Iluminação (Tarô Illuminati)
Para começar precisamos ir até o surgimento do baralho. A verdadeira origem do jogo de baralho, assim como a da maioria dos jogos de cartas hoje conhecidos (como o tarô), permanece um tanto quanto misteriosa, dizem, os historiadores, que as primeiras cartas surgiram no século X antes de Cristo, no Oriente Médio, outros pesquisadores preferem a versão de que a invenção, na verdade, ocorreu na China. 
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Cena do filme "Alice no país das maravilhas"
As cartas mais comuns, e para as quais existem jogos às centenas, são as que compõem um baralho de 52 cartas (ou baralho inglês), ao qual podem ser acrescentados uma ou duas cartas chamadas jokers ou, no Brasil, curingas, dividido em quatro naipes e numeradas, em cada naipe, de 2 a 10, Ás, Valete, Dama e Rei. E em 13 valores diferentes. 

Os naipes  são: espadas (♠), paus (♣), copas (♥) e ouros (♦). Cada naipe possui 13 cartas, sendo elas um Ás (representado pela letra A); todos os números de 2 a 10; e três figuras: o Valete, marcado com a letra J (do inglês jack), a Dama, também chamada de Rainha, letra Q (de queen) e o Rei, letra K (de king).

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Os Trapaceiros (1594) - pintura do artista barroco italiano Michelangelo Merisi da Caravaggio. Baralho como tema. 
Acredita-se que as cartas de tarô surgiram entre os séculos XV e XVI e foram criadas para um jogo de mesmo nome, que era jogado pelos nobres e pelos senhores das casas mais tradicionais da Europa continental. 

A origem do tarô é lúdica/artística. Não oracular.  As cartas do tarô surgiram como expressão artística e também como distração em jogos de azar. A versão oracular, que se “joga para adivinhar” (como se diz por aí), surgiu aproximadamente 4 séculos depois do surgimento do baralho.  o Tarot obtém expressão nas mais diversas áreas, sendo um instrumento de estudo e uso variados.

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Cartas raríssimas originais do Tarô Visconti-Sforza, jogos de baralho pintados 
para as famílias Visconti e Sforza, governantes do Ducado de Milão entre 
1395 e 1499. As cartas possuem detalhes em ouro.

Independente da arte impressa nas cartas, são sempre 78 cartas, sendo 22 Arcanos Maiores e 56 Arcanos menores (esses são os mesmos do baralho que você conhece). A palavra Arcano significa "que ou o que é profundamente secreto, misterioso, enigmático", trazendo a idéia  de "mistérios ou segredos a serem desvendados" e foi incorporada pelos ocultistas do século XIX. 
A origem dos arcanos não fala de leitura ou adivinhação, tampouco de espiritualidade, mística, esoterismo e acesso a mensagens ocultas do destino.  Tarô era um baralho para se jogar mesmo e não para desvendar segredos ou revelar o futuro.
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Os 22 Arcanos Maiores no tradicional Tarô de Marselha
Os países que não conheceram o tarô como jogo, como é o caso da Inglaterra, da Espanha, dos EUA e até do Brasil, geralmente apenas conhecem esse baralho pelo lado místico que ele apresenta. Nos países que conheceram o jogo em si, falar em tarô é como falar em truco. Não tem significados ocultos.
Conta-se que, o tarô em si, por incrível que pareça, foi introduzido pelo pastor protestante Antoine Court de Gébelin(1728-1784), que publicou nove livros sobre o assunto, entre 1773 e 1782. Ele até fala a respeito da interpretação simbólica das imagens, mas não chega a falar sobre previsões do futuro. 
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Ainda assim, foi graças às publicações de Gébelin que Jean-Baptiste Alliette (1738 - 1791), que mudou seu nome para Etteilla (Alliette ao contrário), passou a realizar previsões. Etteilla foi considerado o grande cartomante de sua época. 
Essas cartas surgiram numa época onde muitas pessoas não tinham acesso à alfabetização, portanto, a imagem deveria ser rica em significados. Sendo assim, é um instrumento para toda e qualquer pessoa acessar. Porém, trabalhar com o tarô envolve estudo e pesquisa constantes.
Um bom interprete consegue analisar uma única carta com riqueza de detalhes podendo te situar facilmente na questão ou mesmo dar informações importantes que te ajudem a entender muitas coisas. Isso tudo com uma carta.
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 O tarô não é vinculado a nenhuma religião. Contudo entre tantos baralhos, aparecem os da Fraternidade Branca, dos Orixás, do Xamanismo, dos Anjos, de Osho, etc. Todos com notas evidentes da religiosidade que representam. 
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Tarô com iconografia Cristã
Tem tarólogos que tem sua religião, tem tarólogos ateus, tem tarólogos “zen”, tem tarólogos terapeutas, tem tarólogo místico, enfim, de todo jeito. Essas pessoas podem ter espiritualidade, mas não por conta de jogarem o tarô, e sim porque além de jogar tarô se interessam e buscam uma trajetória espiritual ou um aprendizado dentro da espiritualidade. O "poder" das cartas não vem de uma força mística mas sim do poder contido em cada uma das imagens e seus símbolos.
Tarólogos não fazem adivinhação, o uso do tarô na atualidade tem sido empregado como método de aconselhamento, promovendo o autoconhecimento. O trabalho do tarólogo nada tem (e não precisa ter) de místico, mágico, ritualístico, oculto, esotérico, mediúnico, espiritualista.

O que acontece durante a leitura é uma conexão de informações que se dá através de análise e interpretação. A missão de quem faz a leitura é analisar o símbolo, interpretar a carta num jogo e dar ao consulente a prerrogativa de usar aquele conselho ou não. 
Carl Jung, renomado psicólogo do século XX, falou em Arquétipo (imagens arcaicas), imagens que estão dentro de nosso inconsciente e que podem ser ativadas por determinado símbolo, que revigora e traz à tona toda a carga emocional que a imagem possui em si e que nos toca profundamente. As cartas do Tarot podem ser vistas então como ilustrações sobre os anseios da alma humana.


Kelma Mazziero diz que "Nas últimas duas décadas o tarô cresceu muito no Brasil, tanto na teoria quanto na prática. Saímos da obscuridade para um movimento em direção à pesquisa e à atualização constante[...]." 
Assim ela traz a proposta do "tarô contemporâneo", que é apresentar o tarô usando uma abordagem atual.
         
Arcanos "O Mago" e "A Justiça" no  Mystical Manga Tarot. Contextualização!

Há hoje a importância de olhar para o tarô com visão atualizada. Mostrando que o tarô mesmo sendo algo relativamente antigo, felizmente carrega consigo a contemporaneidade, a mentalidade do tempo atual, se encaixando em nossa realidade para fazer sentido de fato. E isso é de suma importância. 
É fantástico ver dentro dessa contextualização para nossa realidade que o tarô alcançou até a importante bandeira da questão social. Como no caso do projeto "Ghetto Tarot" da fotógrafa Alice Smeets, que com a ajuda de um grupo de artistas haitianos chamado Atis Rezistans, recriaram no gueto do Haiti, com material encontrado localmente, cenas inspiradas nos desenhos das cartas. 
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O projeto de Alice visa ir além das fronteiras culturais do preconceito e da ignorância para alcançar uma transformação necessária da percepção do gueto, enquanto mostra o poder de nossos próprios pensamentos. A favela haitiana é apresentada sob outra luz e as imagens destacam a criatividade e a força de seus cidadãos: eles são o sol, a morte, mágicos, clamam por justiça, dependendo da sua interpretação.
A ideia romantizada de que o tarô adivinha futuro ou desvenda a sorte é limitada.  Em cada época a maneira de olhar o tarô teve seu brilho e seu preconceito. E sem a devida adequação, corre-se risco de continuar a se taxar o tarô em superstição,  misticismo e até ranço. 
Kelma Mazziero diz que "despir o tarô de superstição é urgente, sem isso a gente não sai da visão marginal e desinformada sobre o quanto uma análise simbólica pode ajudar qualquer pessoa num momento mais delicado da vida."

Tarólogo não é cartomante. O tarólogo lê o tarô, já a cartomante lê cartas diversas (baralho cigano e cartas de baralho).
Leitura de tarô é interpretar as cartas e seus símbolos, podendo esclarecer dúvidas, mostrando outro aspecto da sua realidade, apontando saídas ou detalhes importantes. Você pode entender melhor a si mesmo, seu momento profissional, finanças, um relacionamento. E outras inúmeras questões do dia a dia.
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Estamos no século 21. As mudanças em nossa sociedade são mais rápidas do que conseguimos dar conta de entender.

Desde sua descoberta há séculos atrás o tarô transcendeu os mais distintos momentos históricos, saindo da Europa para alcançar o mundo. Afinal, é de símbolo que estamos falando, e símbolos vivem dentro de nós, mesmo que não tenhamos consciência disso, até porque é o inconsciente que carrega a maior parte do que de fatos somos. E é por isso que no nosso século, podemos manter a importância da linguagem simbólica que tanto tem a nos ensinar.




desejo felicidadeS🙈🙉🙊

'MEMENTO MORI'💀



Daniel Bastos
RefÊncias:
ALVES, Lídia Maria. O Tarô, o Caminho da Autotransformação. Nova Era, 1995.

GAD, Irene. Tarô e Individuação. Mandarim, 1996.

GWAIN, Rose. Descobrindo seu interior através do Tarô. Cultrix, 1996.

MARTINS, Vera. Tarô de Marselha, espelho meu. Madras. 2000.


MONTANARO, Mário. Tarô, espelho da alma. Nova Fronteira, 1996.

NAIFF, Nei. Tarô, simbologia e ocultismo. Rio de janeiro: Nova Era, 2012. 

NICHOLS, Sallie. Jung e o Tarô. Cultrix, 1987. 

PRAMAD, Veet. Curso de Tarô e seu uso Terapêutico. Madras, 2003.

SYEINER-GERINGER, Mary. O Tarô e o Autoconhecimento. Ed. Pensamento, 1989. I

https://m.megacurioso.com.br/historia-e-geografia/45723-aprenda-7-curiosidades-incriveis-sobre-baralhos.htm

http://copag.com.br/tudo-sobre-baralhos/

https://kelmamazziero.wordpress.com/
https://medium.com/@carigcayo/des-mistificando-o-tar%C3%B4-a5b425e7c8ea

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Finn, o Enchiridion e os mistérios da sabedoria do Estoicismo - é hora da aventura!


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Finn, de A Hora de Aventura, estudando o "Enchiridion", mesmo nome do "Manual" de Epiteto.
Pra falarmos de nosso querido Finn precisamos situar o Enchiridion. E o caminho é a filosofia, a arte da sabedoria e dos misterios da vida.

Estoicismo é um ramo da filosofia que iniciou com o filósofo Zenão de Cítio. A filosofia estoica atraiu pessoas de todas as classes, desde o imperador Romano Marco Aurélio ao escravo Epiteto. O estoicismo implica, como disse María Zambrano, a recapitulação fundamental da filosofia grega. Nesse sentido é tanto um modo de vida como um modo de se estar no mundo.
Para os filósofos estóicos, o objetivo da vida era a Eudaimonia (do grego que literalmente significa 'o estado de ser habitado por um bom daemon, um bom gênio'), lucidez, e liberdade.
Resultado de imagem para finn adventure timeA felicidade, por meio da aplicação de Arete, virtude ou excelência. Em busca dessa felicidade, descobriram que uma das principais causas da tristeza são os erros de julgamento, a maneira como assentimos às impressões que se tornam emoções, e assim desenvolveram técnicas para lidar com os infortúnios da vida. 

A filosofia estoica é uma ferramenta para isso, oferecendo uma maneira de encarar e lidar com os obstáculos da vida.

Lógica Estoica

O principal tema na lógica estoica é a descrição de como o conhecimento é adquirido. Quando nós nascemos, nossa mente é como uma folha de papel em branco, sobre a qual nós escrevemos. Nada vem do zero, tudo é desenvolvido, até mesmo concepções comuns que todos têm.
Nós escrevemos nesta folha quando obtemos informações sobre o mundo externo através de experiências sensórias e impressões.
  1. Primeiramente, recebemos a impressão de um evento externo através de nossos órgãos dos sentidos. Algo que nosso olho viu, nosso ouvido escutou, nosso nariz cheirou, etc.
  2. Essa impressão causa uma reação involuntária e um julgamento de valor, classificamos como “bom” ou “ruim”.
  3. Após essa reação automática, nós avaliamos a impressão conscientemente e julgamos se ela é adequada ou inadequada.
  4. Se a impressão for adequada, consentimos com ela e aí temos a reação voluntária ou consciente.
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Quando julgamos uma impressão como adequada, não nos preocupamos em ser infalíveis, mas julgamos seu grau de exatidão relativo às evidências que temos: sua história, referência a outras impressões e as condições dos nossos órgãos dos sentidos. Se não temos informações o suficiente, suspendemos o julgamento e não consentimos com a impressão.
Para os Estoicos, essa forma de aquisição de informação não é conhecimento, mas sim cognição. O conhecimento é um conhecimento científico e sistemático. 

Física Estoica

De acordo com o Estoicismo, somente corpos existem. Isso não quer dizer que apenas coisas tangíveis existem, porque corpos são quaisquer coisas que agem ou sobre as quais se pode agir. É o ativo e o passivo, onde o ativo informa o passivo para criar formas:
  • Aquilo que age, o ativo, Deus.
  • Aquilo sobre o qual se age, o passivo, a matéria.
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O cosmos é espelhado no nível humano: o mesmo relacionamento que existe entre a alma (ativo) e o corpo (passivo) do cosmos também existe entre a alma e o corpo do ser humano.
“[...] o objetivo de qualquer cerimônia mágicka é unir o Macrocosmo e o Microcosmo. [...] Você deve deixar seu Macrocosmo e Microcosmo exatamente equilibrados, verticalmente e horizontalmente, ou as imagens não coincidirão.” - Magick em Teoria e Prática, Capítulo VIII.
Essa força que forma o mundo material é chamada de Pneuma, e ela possui três princípios: coesão ; natureza e alma.
“Tu deves: (1) Descobrir qual é a tua Vontade. (2) Fazer a tua Vontade com: (a) unidade de propósito; (b) desprendimento; (c) paz. Então, e somente então, tu estás em harmonia com o Movimento das Coisas, tua vontade parte da, e portanto igual à, Vontade de Deus. E desde que a Vontade não é mais que o aspecto dinâmico do ente, e desde que dois entes diversos não podem possuir vontades idênticas; então, se tua vontade é a vontade de Deus, Tu és Aquilo.” – A Mensagem do Mestre Therion
Aquilo que emprega a razão é superior a aquilo que não a emprega, e como nada é superior ao cosmos, o cosmos emprega a razão. Como somos conscientes e parte do cosmos, então o cosmos também é consciente.
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“Através de nossos olhos, o universo percebe a si mesmo. Através de nossos ouvidos, o universo está ouvindo suas próprias harmonias. Nós somos as testemunhas através das quais o universo se torna consciente de sua própria glória, de sua própria magnificência.” ― Alan Wilson Watts

Ética Estoica

A base da ética estoica é que o instinto básico que dirige todos os animais é a autopreservação. Nossas escolhas mais primitivas se baseiam nisso, se aquilo que faremos irá nos beneficiar ou prejudicar.
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Para animais irracionais, isso significa suprir necessidades básicas, como alimento, água, abrigo, saúde, etc. Para o homem, isso envolve algo mais. Não basta viver, é preciso viver adequadamente. Buscamos a autopreservação do nosso ser racional, da nossa excelência.
Tendo em vista isso, todas as coisas podem ser classificadas em três grupos:
  • Bom: a excelência (virtude) e as coisas que participam dela;
  • Ruim: o vício e as coisas que participam dele;
  • Indiferente: todo o resto
Para os Estoicos somente a excelência (virtude) é boa porque ela contribui para nossa sobrevivência como seres racionais. Comida, abrigo, riqueza, etc. não são “bons”, eles apenas têm valor para nós, portanto são indiferentes. A própria vida é um indiferente. Tais coisas não podem ser boas, porque também podem ser más. Então não são nem boas e nem más, são indiferentes. A posse de coisas externas não pode garantir a felicidade, mas a posse da virtude sim.
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“a Espada liberta as percepções da teia da emoção. [...] As percepções em si são sem significado; mas as emoções são piores, pois elas enganam suas vítimas fazendo-as acreditar que tais emoções são significativas e verdadeiras.”  

– Liber ABA, Parte II: Adaga.

No entanto, existem os indiferentes que são preferidos. A gente prefere indiferentes como saúde, riqueza, etc. do que indiferentes como a doença, pobreza, etc. Indiferentes preferidos são aqueles que contribuem para o nosso bem-estar físico.
Epiteto introduz uma categorização ainda mais simples em seu Enchiridion. Para ele as coisas se dividem em duas: o que está sob o nosso controle o que não está sob o nosso total controle.
  • Bom: coisas que dependem de nós, concepção, escolha, desejo, aversão, reação, etc.
  • Ruim: coisas que não dependem de nós, riqueza, doença, propriedades, o congestionamento no trânsito, o mau humor do chefe, etc.
A única coisa sob nosso total controle é a escolha. Como agir, como reagir. Focando nas coisas que estão sob nosso controle, podemos assegurar a virtude.
Imagem relacionadaPara os estoicos, as emoções são produto de julgamentos. Conforme a Lógica Estoica, nós recebemos uma impressão através de nossos órgãos dos sentidos; então nós disparamos um julgamento de valor automático, que causa uma reação (primeiro movimento); só então avaliamos a impressão, e se assentimos, causamos uma reação emocional.
Como emoções genuínas são o produto de um assentimento, e assentimentos estão sob nosso controle, as emoções estão sob nosso controle. É mais fácil falar do que fazer, mas através de contínua prática é possível fazer o cérebro ponderar as impressões com mais calma antes de assentir. Mesmo sem esse mecanismo, é possível pelo menos rever uma conclusão errônea para acabar ou minimizar uma emoção como a raiva, ansiedade ou tristeza.
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“Toda emoção é uma obsessão; a mais horrível das blasfêmias é atribuir qualquer emoção a Deus no macrocosmo, ou à alma pura no microcosmo. ” 
 – Liber ABA, Parte II: Adaga.


Um ser racional se preserva cultivando a virtude, buscando ações apropriadas, ou seja, aquelas que buscam os indiferentes preferíveis e as coisas relacionadas à virtude ou excelência. A virtude é identificada com a felicidade, e ela não depende de nada fora de nós.
Para viver virtuosamente é necessário viver de acordo com a natureza. Isso se aplica em três níveis:
  1. viver harmoniosamente consigo mesmo (livre de conflito emocional interno);
  2. viver de acordo com sua própria natureza (como um ser racional, ao invés de reagir passivamente a forças externas);
  3. colocar-se em harmonia com a Natureza como um todo (uma vez que nós somos uma parte da Natureza, não existe conflito entre viver de acordo com sua natureza e a Natureza).
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“Seu dever para consigo mesmo. [...] Explore a Natureza e Poderes de seu próprio Ser. Isso inclui tudo que é, ou pode ser para ti: e você deve aceitar tudo exatamente como é em si, como um dos fatores que compõe seu Verdadeiro Self. Assim este Verdadeiro Self por fim inclui todas as coisas, sejam quais forem; sua descoberta é Iniciação (a viagem em direção interna) [...] Não reprima e nem restrinja qualquer instinto verdadeiro de sua Natureza; mas devote tudo em perfeição apenas ao serviço de sua única e Verdadeira Vontade. – Dever.

Na Prática:


                                                         

A Inteligência - Marco Aurélio

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A nossa inteligência nos liga diretamente com Deus que se liga a inteligência das outras pessoas e é por isso que os homens são todos irmãos e devem amar-se como tais. A nossa inteligência faz também parte do mundo e nos serve de guia como se fosse uma parte do próprio Deus.

A nossa razão somente pode ser acessada por Deus e não pode ser atingida por outros seres humanos. 
Ninguém pode, portanto, atacar a nossa inteligência. Faça dela sua arma.
O Autocontrole - Epiteto
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Devemos suportar o que não podemos modificar e tentar modificar o que precisa ser modificado das coisas que dominamos como desejos ou ideias irracionais.
            
Epicteto define assim o seu princípio filosófico definindo as coisas em dois conjuntos. O das coisas sobre as quais podemos exercer nosso poder e o das coisas sobre as quais não temos nenhum poder. O que não está sobre nosso poder, além de não ser da nossa responsabilidade, não pode ser atingido pela nossa vontade.

Os dois conjuntos de coisas não podem estar juntos, pois são excludentes e um vai destruir o outro. Não levar em conta essa divisão é seguir o caminho que vai nos levar ao erro.

Durante o seu dia, sempre que surgir alguma situação com a qual você se sente mal, pergunte-se: “Que controle eu tenho sobre isso?”. Faça disso um hábito.

Pessimismo Prático - Sêneca

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"Praemeditatio malorum — meditação sobre os males futuros." Ou pessimismo prático.  A antecipação do pior. Refletindo sobre os possíveis resultados ruins, você pode definir formas para minimizar os efeitos ou evitar completamente as causas.
Realizar uma simulação mental (visualizar o início, os obstáculos e o resultado final) melhora a habilidade de fazer planejamentos, reforça as conexões entre pensamento e ação e aumenta a probabilidade de atingir o objetivo.
Em outras palavras, pensar no processo (como eu vou fazer isso?) é mais eficaz do que pensar no resultado (o que eu espero conseguir?).
Praemeditatio malorum também pode ser aplicado para impedir que você cometa auto-sabotagem e assim finalize seus projetos. Ao antecipar possíveis obstáculos, podemos criar um plano que nos impedirá de desistir antes da hora.

Mas cadê o Finn com o Enchiridion?


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Muitos itens mágicos foram exibidos em Hora de Aventura[1], mas nenhum com tanto mistério e curiosidade quanto o Enchiridion. O que tem escrito nos outros capítulos? que números são aqueles no verso do Enchiridion?

O Encheirídion (em grego: Ἐγχειρίδιον), é um termo que, em grego, significa “adaga, punhal, arma portátil ou livro portátil, manual”. Super interessante né?!

Na série, o Enchiridion foi um antigo livro com os códigos de conduta, diretrizes e outras informações úteis para os heróis. Ele apareceu pela primeira vez no episódio “O Enchiridion!” Finn passa uma serie de desafios para o obter.
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O Enchiridion é um empoeirado, desbotado, livro velho. Em mal estado o que nos passa a impressão que foi usado por muitos heróis antes de Finn a eras atrás. Na capa tem a imagem de um pássaro, um crânio, algumas uvas, e uma espada no centro. Em torno do centro há um anel com seis gemas. 

Há também dois escudos na parte inferior e a palavra “Enchiridion” na parte superior frontal. Na parte de trás 8.13.21 está escrito. (Isso é uma sequência de Fibonacci, na qual cada novo número é calculado pela soma dos dois números que o precedem.)
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Parte do capítulo quatro pode ser lido:
” Bravo herói , deixe sua espada ser revestida, pois, embora seja a sua melhor e mais confiável ferramenta, ela não poderá ajudá-lo quando atravessar o terreno traiçoeiro no qual agora você embarcar. Um grande guerreiro deve escalar as torres mais altas, mutilar os ímpios, e estrangular demônios ágeis, mas estes desafios, não só fazer um ..” 
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O nono capítulo também, mas o que se pode ler claramente é:
“.. sonhos de rock-and-roll se tornarão realidade”, o jovem disse ao escriba. “A música é o seu mestre, ouça o seu chamado”, o menino riu, esfregou seu chapéu e … n da noite. Ele nunca … alguma coisa” dele novamente. A mochila que ele deixou para trás clamou com aos gritos que foi aberta. Ele assustou o escriba, ele nunca teve uma espada poderosa … ou. Após uso prolongado, … montagens tendem a deixa-lo cheia de náusea. … todos no chicote … prado manteve em … quem acha que seus … escalas tendem a … “alguma coisa”
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Envolto em tantos mistérios, 
O que tem escrito nos outros capítulos?
Será que Finn encontrou os ensinos de sabedoria de Epiteto e dos estóicos neles. Será que o nome do livro não pode sugerir uma ligação? 

                Imagem relacionada   Epictetus Enchiridion 1683 page1.jpg           
Observando a felicidade de Finn diante de algumas descobertas na leitura, não é impossível, já que um herói precisa de sabedoria. Se for ele encontraria coisas como:   
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enFINN... rsrs

O filósofo estoico se dedica a aplicar os conceitos de sua filosofia ao dia a dia para tornar-se uma pessoa mais feliz. Para ele não importa o que uma pessoa fala, mas sim como ela se comporta, aquilo que ela faz. Ele acredita que tem mais valor uma pessoa com experiência, porém sem embasamento teórico, do que uma pessoa com farta bagagem intelectual e nenhuma experiência prática.
Imagem relacionada"Finn" rsrs


desejo felicidadeS🙈🙉🙊

'MEMENTO MORI'💀


Daniel Bastos
ReferÊncias:
[1] Hora de Aventura (Adventure Time) é uma série de desenho animado americana criada por Pendleton Ward para o Cartoon Network. Lançada em 2010, tem 283 episódios e alguns especiais.  Na animação, Finn é o último humano vivo após a Mushroom War, uma guerra apocalíptica que serve de metáfora para uma guerra nuclear. Além de tratar da passagem da infância para a adolescência trata ainda de isolamento e depressão. A 10ª e última temporada estreou  no Brasil a 5 de março de 2018. O último episódio foi ao ar em 23 de setembro de 2018.

EPITETO. O Manual da Vida Boa: O Enchiridion de Epiteto. The Stoic Gym Publications, 2018.
SELLARS, John. Stoicism. University of California Press, 2006.

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/04/27/cultura/1524838978_764302.html

https://medium.com/coffee-break-through/premeditatio-malorum-tudo-vai-dar-errado-291c91b50fc

https://www.hadnu.org/publicacoes/297-uma-introducao-ao-estoicismo

http://www.filosofia.com.br/historia_show.php?id=37
https://urubutrix.wordpress.com/2013/09/18/o-enchiridion-misterios-e-mais-misterios/ 



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