segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Buda, Krishna e Jesus - aproximações de seus ensinos e pensamento.

"Católico, evangélico, budista, macumbeiro, corintiano

espírita ou ateu
Todo mundo busca a paz interna, tâmo aqui pra ser lanterna
Foi assim que Ele escreveu
Palavras e palavras e palavras
E ainda acham que o deus do outro não pode ser meu

Tem horas que a gente se pergunta

Por que é que não se junta tudo numa coisa só?"


Os versos acima são um trecho da música "O Tudo É Uma Coisa Só" do grupo músico-teatral "O Teatro Mágico". 
Vejo cada religião como uma bela sinfonia, diferentes entre si, tal como as diferenças que percebemos ao ouvir uma sinfonia de Mozart, Beethoven ou Bruckner. Diferenças estéticas à parte, somos capazes de apreciar o que cada uma delas tem de melhor. No fim, todo compositor possui os mesmos recursos: uma pauta de cinco linhas e sete notas. A única diferença é a maneira como elas se organizam.
Na tentativa de construir um só diálogo,  retirei  as falas de Krishna da Bhagavad Gita, as falas de Jesus Cristo dos Evangelhos e as falas de Siddharta Gautama do livro “A Doutrina de Buda”. Os ensinamentos desses três podem ser tão similares, que foi preciso pouco esforço para construir tal diálogo.
Buda: A causa do sofrimento humano encontra se, sem dúvida, nos desejos do corpo físico e nas ilusões das paixões humanas. Os homens se apegam obstinadamente à vida de riqueza e fama, de conforto e prazer, de excitamento e egoísmo, sem saber que estes desejos são a fonte do sofrimento humano.
Krishna:  Sábios dotados de perfeita sabedoria não se apegam aos frutos do seu trabalho, e com isto se libertam para sempre da escravidão de nascimento e morte, e atingem o estado de beatitude absoluta.
Cristo: Não acumuleis para vós tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem os destroem, onde os ladrões penetram e roubam. Acumulai para vós tesouros nos céus, onde nem a traça nem a ferrugem os destroem, onde os ladrões não penetram nem os roubam. Pois onde está o tesouro, aí também está o teu coração. 
Buda: O rico se preocupa com seu patrimônio; preocupa-se com sua mansão ou outras propriedades. Aflige-se, enfim, com o desastre que lhe possa acontecer: incêndio em sua mansão, roubos ou sequestro. Preocupa-se com a morte e a disposição de sua fortuna. Com efeito, seu caminho para a morte é solitário: ninguém o acompanhará em sua morte.
Cristo: Por isso vos digo: não vos dê cuidados a vida, o que haveis de comer e o que haveis de beber; nem o vosso corpo, o que haveis de vestir. Não vale, porventura, mais a vida que o alimento, e o corpo mais que a vestimenta?
Krishna: Quem a tudo renuncia, jubiloso, alcança, já agora, a mais alta paz de espírito; mas quem espera vantagem das suas obras é escravizado por seus desejos.
Buda: Muitos homens, por alimentar o amor ao bem-estar do corpo, não percebem os males que seguem o conforto (…)   Estes desejos, que surgem das diferentes sensações, são as mais perigosas armadilhas. Sendo apanhados por elas, os homens se enredam nas paixões mundanas e sofrem. Devem aprender um meio pelo qual possam escapar dessas ciladas.
Cristo: Não andeis, pois, inquietos, nem digais: que havemos de comer? Que havemos de Beber? Com que havemos de nos vestir? Os mundanos é que se preocupam com todas essas coisas. Vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas. Buscai, pois, em primeiro lugar o reino de Deus e sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas de acréscimo.
Buda: Se o desejo, que se aloja na raiz de toda paixão humana, puder ser removido, aí então, morrerá esta paixão e desparecerá, consequentemente, todo o sofrimento humano.
Krishna: Porque quando o homem é perfeitamente liberto de todos os desejos do ego finito e alcança a paz da alma pela realização do Eu divino, então é um homem de perfeita sabedoria.
Cristo: Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.
Buda: O meio de vida, isento de toda a paixão mundana e do sofrimento, somente é conhecido através da Iluminação.  Aqueles que buscam a Iluminação devem sempre se lembrar da necessidade de manter constantemente puros o corpo, a fala e a mente.
Cristo: Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.
Krishna: Entretanto, árduo é esse caminho para os que procuram encontrar o Imanifesto por meio de um amor afetivo; difícil é esse caminho para os que ainda vivem em corpo carnal.
Cristo: Entrai  pela porta estreita. Pois larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição – e são muitos os que entram por ele. Quão apertada é a porta e quão estreito o caminho que conduz à vida – e poucos são os que acertam com ele!
Buda: É muito difícil seguir o caminho da Iluminação, mas será muito mais difícil, se os homens não tiverem a mente para procurar este caminho. Sem a Iluminação, haverá infindável sofrimento neste mundo da vida e da morte.
Krishna: Verdade é que o saber espiritual é melhor que o fazer material; porém, melhor que ambos é o amar integral – e isso requer total desapego; quem a tudo renuncia por amor, este está perto da meta final.
Buda: Para se manter o corpo puro, não se deve matar qualquer criatura vivente, não se deve roubar ou cometer adultério.
Cristo: Tendes ouvido que foi dito aos antigos: não matarás e quem matar será réu em juízo, Tendes ouvido que foi dito: “Não cometerás adultério”.
Krishna: Quem não quer mal a ser algum e, liberto do ódio e egoísmo, é benévolo para com todas as criaturas; quem permanece fiel a si mesmo, no prazer e no sofrimento, sempre sereno e paciente, este me é querido.
Cristo:  Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.
Buda: O Esforço Correto significa dar o melhor de si, com diligência, para realizar nobres ações.
Krishna: Quem dá esmola em tempo e lugar corretos, de espírito alegre e por compaixão, inspirado no senso do dever, sem nada esperar em retribuição – este também é guiado pela sapiência da razão.
Cristo: Quando, pois deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita, para que tua esmola fique às ocultas; e teu Pai, que vê o que é oculto, te há de recompensar.
Buda: Para se manter pura a fala, não se deve mentir, abusar, ludibriar ou se perder em vãs conversas.  Mas evitar as palavras falsas, inúteis, abusivas e ambíguas.
Krishna: Quem age indeciso, sem rumo certo, sem jeito nem critério, procurando iludir os outros – este age sob o signo do desmazelo.
Cristo: Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna.
Buda: Para se manter pura a mente, deve-se remover toda a cobiça, ira e o falso julgamento.
Cristo: Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir vós.
Krishna: E ainda que a mente volúvel se rebele e tente fugir para longe, disciplina-a pela força do amor e a reconduz ao Ser Supremo.
Buda: À mente impura seguem atos impuros e estes trarão sofrimentos. Assim, é de suma importância que se conservem puros a mente e o corpo.
Cristo: O que sai da boca, procede do coração, e isso contamina o homem. Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, fornicação, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias.
Krishna: Realmente perseverante é o homem quando domina os impulsos do coração, a força vital e os sentidos – e isso provém do conhecimento da Verdade.
Cristo:  E conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará.
***
Por Fábio Almeida (bacharel em administração de empresas, especializado em filosofia, teologia e história)
Fonte

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Daniel Bastos

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

É a jornada interna que importa - o labirinto como símbolo da busca de Si-mesmo e de Deus.

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A origem oculta da palavra labirinto vem do Latim "Labor-Into", 
        ou trabalho íntimo, trabalho interior. 
E não é à toa.
Buscar a si mesmo é um Labirinto Sagrado.
Um trabalho interior sagrado.

Os labirintos vêm de épocas muito antigas, no Antigo Egito, por exemplo, foram encontrados no formato quadrado e retangular. Os labirintos em formato circular surgiram somente por volta do século VII a. C. É um espaço criado de forma artificial, com diversas passagens e caminhos, deixando a pessoa muito confusa em encontrar a saída, por vezes sentindo ser quase “impossível” encontrá-la. Contudo a finalidade de um labirinto pode ser justamente  auxiliar o indivíduo a encontrar o caminho para fora, mas não de um jeito fácil. Bem semelhante a nossa jornada de vida não é?

Antigamente, os labirintos eram também usados como uma armadilha. Já os medievais, o tinham como forma de representação do caminho do homem para Deus, tendo inclusive a presença de labirintos nas Catedrais como é o caso da Catedral de Chartres na França.
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Há muitos detalhes a respeito da magnífica Catedral que enriquecem o sentido simbólico do labirinto. Conta-se que ela fica localizada sobre restos arqueológicos de outras igrejas, ou mesmo de um templo romano, ou ainda acima também de um poço druida, que ainda pode ser visto ao visitar-se a cripta da catedral. Assim, esse labirinto conecta-se com uma série de outros elementos simbólicos que despertam arquétipos de nosso  inconsciente coletivo. 

O mundo exterior é forma de mudança de energia, uma mera ilusão. Sua vida interior, suas estradas internas, carregam a marca da eternidade. Você tem o universo. Você tem o divino. Você é consciência. Tudo que você vê, observa, observa, ouve, come, ri, tira sarro, gosta e não gosta, resiste e se entrega é o universo se vendo, se compreendendo e se reconhecendo. 

Atravessar o marco que separa o labirinto do mundo exterior pode ser um desafio para o caminhante. Depois de iniciados os primeiros passos há o desafio da fé de que vale a pena prosseguir. Essa crença implica em esperança, embora haja a indefinição do trajeto que está por vir. As dobras e aparentes retornos são também um desafio à paciência, ao relaxamento, à espera.

Você, como a carta de tarô do Tolo , está em uma jornada, busca e aventura. A jornada de quem você é, como um círculo sagrado, o levará de volta.  

No labirinto de Chartres, o caminho, de ida é o mesmo da volta. No entanto, para aquele que caminha existe a impressão de ter ido por um caminho e voltado por outro. É forte a sensação de se ter entrado por uma passagem e de se ter saído por outra. Esse é um dos efeitos decorrentes do engenhoso desenho do labirinto. Esse desenho possui o que é chamado de "geometria sagrada" e remete à possibilidade de "transcender" seus próprios traçados e apontar para significados que estejam além da realidade imediatamente captada pelos sentidos. 

Sua jornada começa com você. Isso termina com você. Você pode viajar para as margens do seu quintal ou para os confins do mundo. É a jornada interna que importa. Todo o resto? Sombras e poeira. 

Cada dia que você acorda, o mistério de quem você é se desdobra um pouco mais. Você avança, para trás ou para os lados no seu caminho, mais perto ou mais longe de seus objetivos. Você acelera no controle de cruzeiro às vezes. Outras vezes, você se encontra perdido em moitas espinhentas ou ofegando por ar em areia movediça. 

No labirinto interno você descobre que existem variações múltiplas de si mesmo. Traços da sua personalidade, impressões que você construiu ao longo do caminho. Todos estão lá. É bem o que expressava o grande poeta Fernando Pessoa: "Cada um de nós é vários, é muitos, é uma prolixidade de si mesmos".

"Sinto-me múltiplo. Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos que torcem para reflexões falsas uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.

Como o panteísta se sente árvore e até a flor, eu sinto-me vários seres. Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente, como se o meu ser participasse de todos os homens, incompletamente de cada [?], por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço."
(Fernando Pessoa)
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Todos nós instigamos causa e efeito com nossas ações e reações. Nós enchemos o mundo com nossa energia. Nós gastamos isso com sabedoria nas coisas que amamos, reinvestindo energia em nós mesmos ou dando para outras pessoas e coisas. 

Cada dia da nossa vida, nos aproximamos da morte. A rica colheita de agosto e a luz dourada se rendem às sombras cada vez mais profundas do equinócio de setembro. Vale a pena se render. Não é fácil, mas é lindo. É por isso que estamos aqui. Pratique a arte da rendição. Se você deixar a passagem de Verão para o Outono ser o seu professor, você se torna mais do que você fora do tempo linear.

Um mapa é essencial para qualquer jornada. Nos dias de hoje, usamos mapas de telefone celular que se encaixam perfeitamente na palma de nossas mãos. Se você estivesse por perto na década de 1970, você se lembraria de mapas de viagens gigantes encontrados em poltronas de vinil e nos compartimentos de luvas empoeirados do carro dos viajantes. 

Os povos antigos faziam mapas de rolagem manualmente. Homens e mulheres olhavam para o firmamento antes da invenção do papel. Constelações em um céu noturno cristalino e livre de poluição foram usadas como guia, enredo e plano. Mapas nos mostram paisagens; eles revelam a configuração da terra para que possamos nos orientar. Os mapas nos informam onde encontrar coisas como postos de gasolina, lojas de conveniência e a casa de nossos amigos. 

No entanto, os mapas mais emocionantes, os mapas mais raros, desejados e cobiçados, mapas pelos quais as pessoas derramaram sangue e perderam suas vidas, são mapas do tesouro. Se você está procurando o mapa do tesouro de sua alma, não procure mais do lado de fora. Olhe para dentro.

 É mais fácil pensar no labirinto como algo que está ali como uma espécie de jogo, de truque ou armadilha. Difícil é achar que pode ser uma ferramenta, um instrumento de quebra da rotina, um espaço sagrado só seu.

Sua resposta à espiritualidade, ao sobrenatural, à criatividade, etc., é interior e altamente pessoal. Não há duas pessoas que experimentem o mistério da mesma maneira. O amor, especialmente o amor novo, nos enche de sentimentos de drogas semelhantes à endorfina. É uma sugestão, um suspiro do amor extático que te criou. Uma vez que você realmente "vê" um ao outro e se reconhece, como o beijo de um amante, um Big Bang explode. Seu Big Bang interior acontece sempre que a profundidade das coisas essenciais da existência vibram em você.

Você se encontra respondendo a velhos hábitos e comportamentos de uma maneira diferente. Padrões mudam. Os velhos desafios estão com uma clareza e soluções súbitas. Você se torna mais de quem você é. O mistério de quem você é desdobrado. As sementes de tudo o que você é, tudo que você precisa, está bem ai. Sua psique, espírito, paixões e corpo formam um kit auto-sustentável com muito do que você precisa. 
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Espero que você cuide do jardim da sua alma. Espero que você faça uso dos presentes envolvidos e confiados profundamente dentro de você. Que seus presentes lhe tragam alegria. Você faz do mundo um lugar mais bonito, compartilhando-os. Eu espero que você permaneça fiel ao seu caminho.



labirinto da
“Estamos todos no caminho, 
exatamente onde precisamos estar” 





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Daniel Bastos



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